Ao
longo de sua vida, raramente Edson Queiroz tirou férias. Trabalhava
continuamente e em vários projetos e idéias ao mesmo tempo, cada um num grau
diferente de maturação ou execução. Uma única vez teve que interromper
seu ritmo incontrolável de trabalho, em 1966. Yolanda Queiroz
sofrera um acidente de automóvel e corria sério risco de ter seu braço
amputado. A conselho dos médicos, foi levada a tratamento nos Estados
Unidos pela filha mais velha, Myra, e por Edson. Myra passava os dias com
a mãe no hospital e Edson morria de tédio no hotel. Para "matar o
tempo", ele ia até o prédio vizinho, da Pan Am, pegava o helicóptero e ia
até o aeroporto, tomava um uísque e voltava no mesmo helicóptero.
"Não tinha nada para fazer", contaria ele mais tarde à revista Exame.
"Uma tarde, resolvi fazer um balanço nas bugigangas que tinha
comprado. E percebi que não caberiam nas malas. Era preciso comprar
uma mala. Numa daquelas escadarias que levam às estações do metrô, vi uma
lojinha mal iluminada. Desci, localizei uma mala que me agradou e
entrei. "
O estabelecimento era a Pensilvania Luggage, na esquina da Sétima Avenida com a rua 31. Seu proprietário, um velho judeu chamado Levi Caddah, nem tirou os olhos de um bolorento livro-caixa quando o freguês entrou. À sua pergunta, com voz fraca, limitou-se a responder: " 12 dólares". Sem maior cerimônia, Edson Queiroz apanhou uma flanela e foi para a porta da loja limpar a mala. Enquanto fazia isto, passou um "sujeito apressado", perguntou o preço da mala e a comprou. Edson pôs os 12 dólares ao lado do livro-caixa, pegou outra mala e foi limpá-la também, quando capturou outro cliente. Este, com um inconfundível sotaque inglês, acabou comprando outras mercadorias, num valor total de 125 dólares. O improvisado balconista fez o embrulho, abriu uma vitrina, tirou uma caneta e a deu de brinde ao cliente inglês.
Levi Caddah, a essa altura, havia suspendido os óculos com as mãos e observava tudo. Elogiou as duas vendas, mas censurou a oferta do brinde. Edson lhe explicou as vantagens de se oferecer brindes aos bons fregueses. O velhinho relutou, mas acabou concordando e lhe ofereceu um emprego para ganhar 40 dólares semanais. Sua primeira tarefa foi convencer o patrão de que era necessário iluminar a loja. Depois, limpou e espanou tudo, redecorou as vitrinas e tomou o ambiente mais aconchegante, providenciando até uma poltrona onde os clientes poderiam sentar-se. Em três semanas, seu salário passou para 60 e 80 dólares.
A brincadeira, contudo, acabaria antes que Yolanda Queiroz tivesse alta do hospital. Um dia, um engenheiro grego que trabalhara na instalação do terminal oceânico da Paragás entrou na Pensilvania Luggage para fazer compras e reconheceu Edson Queiroz, que inutilmente tentou esconder-se. "Este é um dos homens mais ricos do Brasil", informou o engenheiro ao velhinho perplexo. "Seu patrão" ainda visitou Yolanda Queiroz no hospital. Depois, sempre que viajava aos Estados Unidos, Edson Queiroz passava pela lojinha, agora um estabelecimento Comercial bem-sucedido.
O estabelecimento era a Pensilvania Luggage, na esquina da Sétima Avenida com a rua 31. Seu proprietário, um velho judeu chamado Levi Caddah, nem tirou os olhos de um bolorento livro-caixa quando o freguês entrou. À sua pergunta, com voz fraca, limitou-se a responder: " 12 dólares". Sem maior cerimônia, Edson Queiroz apanhou uma flanela e foi para a porta da loja limpar a mala. Enquanto fazia isto, passou um "sujeito apressado", perguntou o preço da mala e a comprou. Edson pôs os 12 dólares ao lado do livro-caixa, pegou outra mala e foi limpá-la também, quando capturou outro cliente. Este, com um inconfundível sotaque inglês, acabou comprando outras mercadorias, num valor total de 125 dólares. O improvisado balconista fez o embrulho, abriu uma vitrina, tirou uma caneta e a deu de brinde ao cliente inglês.
Levi Caddah, a essa altura, havia suspendido os óculos com as mãos e observava tudo. Elogiou as duas vendas, mas censurou a oferta do brinde. Edson lhe explicou as vantagens de se oferecer brindes aos bons fregueses. O velhinho relutou, mas acabou concordando e lhe ofereceu um emprego para ganhar 40 dólares semanais. Sua primeira tarefa foi convencer o patrão de que era necessário iluminar a loja. Depois, limpou e espanou tudo, redecorou as vitrinas e tomou o ambiente mais aconchegante, providenciando até uma poltrona onde os clientes poderiam sentar-se. Em três semanas, seu salário passou para 60 e 80 dólares.
A brincadeira, contudo, acabaria antes que Yolanda Queiroz tivesse alta do hospital. Um dia, um engenheiro grego que trabalhara na instalação do terminal oceânico da Paragás entrou na Pensilvania Luggage para fazer compras e reconheceu Edson Queiroz, que inutilmente tentou esconder-se. "Este é um dos homens mais ricos do Brasil", informou o engenheiro ao velhinho perplexo. "Seu patrão" ainda visitou Yolanda Queiroz no hospital. Depois, sempre que viajava aos Estados Unidos, Edson Queiroz passava pela lojinha, agora um estabelecimento Comercial bem-sucedido.
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